domingo, 2 de setembro de 2018

Cheiros

Um dia desapareceste , ainda te procurei em tantos lados, perguntei por ti mas nada, parecia que te tinhas evaporado pura e simplesmente. Ao fim de tantos anos em que foste o meu preferido, aquele que eu adorava acima de todos. Éramos inseparáveis. Estávamos ligados de tal maneira que através de ti as pessoas me identificavam. Mas tive que me adaptar á tua ausência, habituar-me a não te ter, o tempo cura tudo. E depois de uns tempos conturbados a experimentar vários e nada me contentar como tu, encontrei outro. Finalmente! E voltei a ser feliz. Mas sempre a pensar em ti, naquele que partiu. Passaram-se anos e há uns dias atrás alguém te trouxe de novo a mim, sabendo o quanto eu gostava de ti. Fiquei tão agradecida, ia ter-te de novo! Mas acho que se calhar com o tempo e a ausência fantasiei demais acerca de ti e das tuas qualidades e quando finalmente te tive nas mãos, te senti na minha pele e inspirei o teu aroma, já não te senti como meu, já não eras aquele especial. Devo ter sido eu que mudei, mas deixaste de ser o meu sonho. O outro, é agora o meu perfume preferido.

domingo, 26 de agosto de 2018

Além

Ou eu só conheço gente extraordinária ou a aproximação da morte dá-lhes uma sabedoria e dignidade que nos espanta a todos. Choro lágrimas de saudade antecipada, de tristeza por ver acabar aos poucos, e depressa demais, uma vida tão cheia de vida. A morte faz parte intrínseca da vida e não é só quando ela se aproxima, é desde sempre. Não há fim, a morte nem sempre vem lá no fim. Vem de repente, vem cedo, vem antes do tempo. No fundo está sempre lá, aqui. E esta gente extraordinária deve ver isso , deve-se lhes ser dada a sabedoria de perceber para além. Para além do que nós ainda não conseguimos ver e sentir.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Entre mundos

As minhas noites têm sido um desassossego. Nos meus sonhos parece que estou no meio de um filme entre Blade Runner e Lost in Translation. Não sei se por causa do jet lag, do intensa e fantástica que foi a viagem ao Japão ou se por estar a ler antes de dormir o livro “A Rapariga Que Inventou Um Sonho” do Murakami - ainda lá estou! Ou pelo menos o meu sub-consciente. Que viagem fantástica. Foram dias cheios de contrastes, completos, enormes e ao mesmo tempo curtos, corridos, a querer mais. Tanto, tanto, que as minhas noites continuam lá, a viajar, a viver em assombro uma outra viagem. Acordo a meio da noite sobressaltada e quero voltar a adormecer para continuar o sonho. E de manhã sinto tudo mas não me lembro de nada.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Na vida

Acontecem-nos coisas boas e más, fazemos coisas mais ou menos importantes, mas o que verdadeiramente nos define e marca são as relações com os outros.