quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ilusões


Realmente , quando nos queremos iludir, porque queremos muito que alguém, ou uma situação, sejam aquilo que nós gostaríamos ou desejamos, não vemos nada. Nem se estiver mesmo à nossa frente. Nem que outros nos avisem. É impressionante! Há pessoas, ou situações, que são verdadeiras fraudes ou "blufs". E depois , de repente, como que por magia, cai o pano - porque uma ilusão não se consegue manter por muito tempo, é impossível fingir o tempo todo - e só nessa altura conseguimos ver todos os sinais , que estiveram sempre lá, mas que nós não queríamos ver. Enfim, é a vida. E ela continua e vamos continuar a errar e a fingir e a ver os outros fingir e a ter ilusões e a seguir desilusões, e a única coisa que vamos aprendendo é a não ficar tão tristes, nem zangados, nem a deitar culpas - a nós e aos outros - de cada vez que isso acontece. E isso já é um grande passo. Porque uma vida sem um bocadinho de ilusão também não tem muita graça. E porque às vezes é preciso "pintar" as pessoas ou as situações para as vermos mais bonitas. 

domingo, 10 de abril de 2016

Porta-retrato



A tua falta sente-se pela casa, nas cadeiras, na mesa de jantar, nas conversas, nos nossos olhos, na maneira como te procuramos nos teus sítios... A tua falta enche a casa e não conseguimos pensar em mais nada, senão na tua ausência tão presente.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sweet fifthteen



Foi agora, já na idade da não-inocência que demos aquele abraço, que nos deviamos, que já devia ter sido dado quando eramos tão novos que nada de mal acontecia, quando a vida em si nos atirava para esse abraço, naturalmente. Como naquela dança, em que me encostei a ti e nada mais importava. Tudo podia acabar ali. É quando temos mais futuro, que o futuro não tem importância nenhuma... Está sempre longe demais. Tudo demorava e por isso tudo era urgente. Agora? Já nada importa, é tudo relativo. A vida, o tempo, as coisas , é tudo relativo. Até os sentimentos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

sonhos

Ao fim deste tempo todo, às vezes, raramente, ainda sonho contigo. E ontem foi assim, cruzámo-nos na rua, vinhas com umas crianças, e eu com as minhas. Não reparei quem vinha atrás de ti. Comecei a sorrir-te assim que te vi, ainda a uns metros de distancia e tu... tu olhaste através de mim. Eu continuei a olhar-te nos olhos e a sorrir, à espera que a um dado momento me visses, mas tu continuaste a olhar através de mim, como se não estivesse ali ninguém, como se eu fosse transparente. E sem parar continuámos o nosso caminho, de costas um para o outro. Tu sem me veres e eu contigo dentro.

sábado, 24 de maio de 2014

Primavera



Gosto da Primavera.
Gosto das coisas quando elas ainda não são, mas já as começo a sentir de tanto as imaginar.
Gosto da antecipação do bom que aí vem.
Gosto da promessa do que vai ser.
Gosto de sentir o corpo vibrar, sentir as coisas dentro de mim antes de acontecerem, antecedendo o prazer.
E a Primavera é uma promessa em que posso confiar, o Verão vem sempre a seguir.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Coisas...

Não podemos mudar as coisas que nos acontecem (desde desgraças a sentimentos), mas podemos mudar a nossa forma de reagir a elas. A nossa atitude perante a vida está nas nossas mãos, isso controlamos e isso faz toda a diferença para a nossa felicidade e paz de espírito! 

sábado, 19 de abril de 2014

Morte

Queria morrer assim de repente, como se me apagasse.
Depois do dia acabar, de mansinho, sem me despedir.
Como se não fosse para sempre. Só um bocadinho.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Passados


Como me senti há muitos anos atrás no alentejo profundo, na Mina de Aparis, senti agora no Douro, nesta paisagem agreste, talhada e sofrida.

Peço licença para entrar, fazer parte, participar do enlevo, simplesmente. É uma parte de nós que é e não é. Pertencemos e somos estranhos. De uma qualquer coisa, de um qualquer passado que tanto é nosso como nos transcede e nos ultrapassa.

O que é que nos faz sentir o passado, as raízes? Quem passou por aqui igual a nós, sentindo como nós. O que é que partilhamos, todos? Ao logo da vida, de gerações. O medo da morte, do futuro que é a morte, que é um fim qualquer? Que não sabemos o que é. Por muita fé, por muito acreditar, nunca podemos ter a certeza do que há para lá.

Mas por muito que duvide, que questione, sinto aquelas presenças de outrora. Marcaram. Será que marcamos também?