"Se você me ama, não chore. Se você conhecesse o mistério insondável do céu onde me encontro... Se você pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo nesses horizontes sem fim e nesta luz que tudo alcança e penetra, você jamais choraria por mim.
Estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza. Em confronto com esta nova vida, as coisas do tempo passado são pequenas e insignificantes. Conservo ainda todo o meu afeto por vocês e uma ternura que jamais lhes pude em verdade revelar. Amamo-nos ternamente em vida, mas tudo era então muito fugaz e limitado. Vivo na serena expectativa de sua chegada, um dia...entre nós.
Pense em mim assim. Nas suas lutas, pense nesta maravilhosa morada onde não existe a morte e onde, juntos, viveremos no enlevo mais puro e mais intenso, junto à fonte inesgotável da alegria e do amor.
Se você verdadeiramente me ama, não chore mais por mim."
Mensagem de Santo Agostinho
sábado, 4 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Impermanência total
Tenho uma amiga muito querida a morrer.
De há uns dias para cá, eu e a minha vida , temos ali uma parte escura agarrada a nós, que só se ilumina quando a vejo, lhe agarro a mão e sinto a paz que ela sempre me transmitiu. Ela conseguiu. Está preparada e tenta, preparar-nos a nós , família, amigas. Mas é que isto da morte é muito complicado!
Já tenho saudades dela, já tenho pena de mim pela falta que ela me vai fazer. Deus põe estes anjos no nosso caminho e eu devia estar grata não é? E estou, mas porque é que a leva de volta já? São pessoas como ela que fazem falta cá!
No fundo, a morrer estamos todos desde o momento em que nascemos, mas não "vêmos" isso, só nestas alturas, de total impermanência.
De há uns dias para cá, eu e a minha vida , temos ali uma parte escura agarrada a nós, que só se ilumina quando a vejo, lhe agarro a mão e sinto a paz que ela sempre me transmitiu. Ela conseguiu. Está preparada e tenta, preparar-nos a nós , família, amigas. Mas é que isto da morte é muito complicado!
Já tenho saudades dela, já tenho pena de mim pela falta que ela me vai fazer. Deus põe estes anjos no nosso caminho e eu devia estar grata não é? E estou, mas porque é que a leva de volta já? São pessoas como ela que fazem falta cá!
No fundo, a morrer estamos todos desde o momento em que nascemos, mas não "vêmos" isso, só nestas alturas, de total impermanência.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Muitas vezes tenho esta sensação desagradável, de que sempre fiquei na beira da vida, a milímetros de cair, e de viver! Ou que andávamos em linhas paralelas, lado a lado, eu de um, a minha vida do outro. Por cautela, por medo, sei lá. Por vezes, espreitava e ela ali estava: a correr mais depressa, mais colorida, com tudo a passar à minha frente e eu a achar que aquilo não devia ser para mim, que era demais e que era melhor seguir em frente. Parece que nunca fui ao fundo das coisas. Não lutei. Sempre achei que se era preciso lutar era porque não era para mim. Que o que fosse suposto eu viver me aconteceria. E sempre aconteceu, tudo cadenciado e certo para aquele determinado momento. Mas mesmo assim, continuo a ter essa tal sensação desagradável de que me passou muito ao lado…de que, em certas alturas, devia ter mergulhado, de braços e olhos bem abertos.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Porta-retrato # 3
Será que me vês? Às vezes tenho essa sensação, quando ando na rua, sózinha, que tu me estás a observar, com um sorriso, aquele que me fazias.
Será que me ouves? É que às vezes eu falo para ti, só para ti, como se aqui estivesses.
Será que me sentes? Como eu te sinto, aqui dentro, colado a mim, numa saudade pegajosa, sem tempo e sem sentido, infinita...
Será que me ouves? É que às vezes eu falo para ti, só para ti, como se aqui estivesses.
Será que me sentes? Como eu te sinto, aqui dentro, colado a mim, numa saudade pegajosa, sem tempo e sem sentido, infinita...
sábado, 8 de outubro de 2011
Des-Ilusões
A principal razão que me faz chorar é a desilusão. Exactamente, como a própria palavra indica, quando existe ilusão e ela cai por terra.
Tenho a ilusão que uma pessoa é "assim" e ela diz uma palavra, ou tem uma atitude que não se coaduna com essa imagem que tinha dela. Vêm-me as lágrimas aos olhos, se não é a primeira vez, ou choro, se é. O pior é que uma, ou duas, ou três desilusões não me conseguem tirar essa ilusão que tenho sobre certas pessoas, e estupidamente elas continuam a desiludir-me. Ou por outras palavras eu sou estúpida em iludir-me vezes e vezes e continuar a teimar na ilusão.
Uma ilusão não é real. Temos a mania que não temos ilusões, pelo menos eu tenho, mas no fundo tudo se resume a isso. E a ilusão maior é a que as coisas, pessoas e situações são permanentes. A ilusão de que não existe a morte. E essa, a morte, é sempre a nossa maior desilusão.
Tenho a ilusão que uma pessoa é "assim" e ela diz uma palavra, ou tem uma atitude que não se coaduna com essa imagem que tinha dela. Vêm-me as lágrimas aos olhos, se não é a primeira vez, ou choro, se é. O pior é que uma, ou duas, ou três desilusões não me conseguem tirar essa ilusão que tenho sobre certas pessoas, e estupidamente elas continuam a desiludir-me. Ou por outras palavras eu sou estúpida em iludir-me vezes e vezes e continuar a teimar na ilusão.
Uma ilusão não é real. Temos a mania que não temos ilusões, pelo menos eu tenho, mas no fundo tudo se resume a isso. E a ilusão maior é a que as coisas, pessoas e situações são permanentes. A ilusão de que não existe a morte. E essa, a morte, é sempre a nossa maior desilusão.
Estava ali sentada, naquela praia que foi “a minha” durante anos e há anos… Entre pensar, olhar o mar, meditar, reparei num casal de namorados sentados numa rocha enorme que se recorta no mar, abraçados, pertencendo. E lembrei-me do teu abraço. Mágico, grande como este mar, envolvente, encaixante, protector.
domingo, 25 de setembro de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Impermanência # 2
Este sol, este céu, este mar, este cheiro do meu mundo. Parece o mesmo de antes. Cenário igual de mundos distintos. Mas nem isso é. Nem sequer no "nosso" próprio tempo de vida somos o centro do "nosso" mundo… somos ínfimos e só existimos em comunhão com o todo. Tudo muda. Sempre.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Leva-me...
Dá-me a mão, vá! E vamos embora.
Esquecer os dias e voltar a ser.
Passar de lado, olhar em frente
E lembrar tudo.
Dá-me a mão. Não me perguntes nada.
Deixa-me ser infantil, não ter horas.
E ter o tempo todo.
Dá-me a mão e deixa-me simplesmente estar.
Fingir que não sou eu
Fazer de conta que não morremos
Dá-me a mão e não olhes para trás,
Leva-me…
Esquecer os dias e voltar a ser.
Passar de lado, olhar em frente
E lembrar tudo.
Dá-me a mão. Não me perguntes nada.
Deixa-me ser infantil, não ter horas.
E ter o tempo todo.
Dá-me a mão e deixa-me simplesmente estar.
Fingir que não sou eu
Fazer de conta que não morremos
Dá-me a mão e não olhes para trás,
Leva-me…
Sempre o tempo...
À medida que vamos crescendo, amadurecendo, deixam de haver fronteiras estanques, barreiras fechadas, dentro e fora de nós.
Entre o bem e o mal, o feminino e o masculino, o branco e o preto, a verdade e a mentira, a felicidade e a infelicidade, o estar e o não estar, a alegria e a tristeza, o amor e o ódio…
A imediatibilidade da adolescência, a urgência em viver, desaparece!
Tudo se torna relativo, tudo se esbate, caem as barreiras e tudo começa a viver em harmonia dentro de nós. Começamos a aceitar os nossos “outros lados”, começamos a ver claramente os dois lados de tudo a coabitar dentro de nós. Percebemos que ninguém é completamente bom nem mau, ninguém é totalmente isto ou aquilo. Que as coisas são como são!
E deixamos de ter tanta pressa. Aprendemos que tudo tem o seu tempo e que não vale a pena lutar contra ele.
Aliás, não vale a pena lutar, simplesmente!
Entre o bem e o mal, o feminino e o masculino, o branco e o preto, a verdade e a mentira, a felicidade e a infelicidade, o estar e o não estar, a alegria e a tristeza, o amor e o ódio…
A imediatibilidade da adolescência, a urgência em viver, desaparece!
Tudo se torna relativo, tudo se esbate, caem as barreiras e tudo começa a viver em harmonia dentro de nós. Começamos a aceitar os nossos “outros lados”, começamos a ver claramente os dois lados de tudo a coabitar dentro de nós. Percebemos que ninguém é completamente bom nem mau, ninguém é totalmente isto ou aquilo. Que as coisas são como são!
E deixamos de ter tanta pressa. Aprendemos que tudo tem o seu tempo e que não vale a pena lutar contra ele.
Aliás, não vale a pena lutar, simplesmente!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Solidão
Estou só
Estou só neste mundo
De tristeza e solidão
Minha alma chora
Com esta solidão que sinto
Desespero.
Não aguento mais
Esta tortura
É horrível
Nunca pensei que a solidão doia tanto como a que sinto neste momento.
Escrito com 11 anos, o primeiro de muitos com o mesmo sentimento
Estou só neste mundo
De tristeza e solidão
Minha alma chora
Com esta solidão que sinto
Desespero.
Não aguento mais
Esta tortura
É horrível
Nunca pensei que a solidão doia tanto como a que sinto neste momento.
Escrito com 11 anos, o primeiro de muitos com o mesmo sentimento
sexta-feira, 18 de março de 2011
Ainda te embalas? Conheço-te em cada canto. Cada fraqueza, cada ilusão. Conheço aquilo que querias ser, o que querias que eu fosse. Os pés pequenos, as mãos delicadas, o olhar para mim. Só conheci esse olhar, o meu. Tu tinhas outros mas eu não os vi. A ilusão de tudo o que me dedicavas não me deixava ver mais além.
Não lamento nada, faria tudo outra vez, apesar da dor.
Não tenho pena, não podia ter sido de outra maneira. Só foi bom porque a felicidade ficou sempre suspensa.
Quando o amor é destes tem que morrer assim. Tragicamente. É a sua sina.
Não tenho saudades.
Não lamento nada, faria tudo outra vez, apesar da dor.
Não tenho pena, não podia ter sido de outra maneira. Só foi bom porque a felicidade ficou sempre suspensa.
Quando o amor é destes tem que morrer assim. Tragicamente. É a sua sina.
Não tenho saudades.
sábado, 5 de março de 2011
Verdade ou Consequência
Aprendi muito tarde, tarde demais, a mentir. Foi pena. Muito teria sido poupado.
É preciso saber mentir, sem se ser a mentira.
Não é ser mentirosa. É saber como, quando, quanto mentir. É saber gerir a verdade. Temos que ser verdade, mas não é preciso dizer.
Para nos proteger, para proteger os outros de nós e deles. A maioria das pessoas diz a verdade para se livrar de culpas.
E há esta mania de ensinar as crianças a viver na ditadura da verdade, e não pode ser! Há que ensiná-las a mentir, de verdade. E nada disto é falsidade ou fingimento. É mais uma das questões do saber viver, em verdade!
É preciso saber mentir, sem se ser a mentira.
Não é ser mentirosa. É saber como, quando, quanto mentir. É saber gerir a verdade. Temos que ser verdade, mas não é preciso dizer.
Para nos proteger, para proteger os outros de nós e deles. A maioria das pessoas diz a verdade para se livrar de culpas.
E há esta mania de ensinar as crianças a viver na ditadura da verdade, e não pode ser! Há que ensiná-las a mentir, de verdade. E nada disto é falsidade ou fingimento. É mais uma das questões do saber viver, em verdade!
Máscaras
Adoro o que tinha, fico com saudades até, mas simplesmente não resisto a uma mudança.
A mudança de cenários é-me indispensável.
Nunca tive o “meu” cabeleireiro, o “meu” dentista (por acaso já não mudo há muito tempo…estou eu a mudar!) Toda a vida mudei de ginásio, de actividade física. Farto-me. Preciso de mudar. No apartamento onde vivi durante 11 anos, mudei tudo várias vezes. Dormi em todos os quartos da casa.
Só em relação às pessoas é que não. Mantenho os amigos que posso, adoro reencontros, jantares de ex-colegas e tudo o que faça reviver emoções antigas.
Devia ter ido para actriz, assim podia-me deixar estar mais tranquila na vida real.
O que é engraçado é que não gosto de me mascarar. Dá muito trabalho. As outras mudanças também, mas quando gostamos nada dá trabalho. E é o exterior, não me cativa. E depois tenho imenso medo do ridículo. Acho os mascarados (adultos), a maior parte das vezes, patéticos.
Eu gosto é de mudar o “ser”, brincar aos faz de conta com o que sou e sinto. Mas depois sinto de verdade. Por pouco tempo, mas a sério.
A mudança de cenários é-me indispensável.
Nunca tive o “meu” cabeleireiro, o “meu” dentista (por acaso já não mudo há muito tempo…estou eu a mudar!) Toda a vida mudei de ginásio, de actividade física. Farto-me. Preciso de mudar. No apartamento onde vivi durante 11 anos, mudei tudo várias vezes. Dormi em todos os quartos da casa.
Só em relação às pessoas é que não. Mantenho os amigos que posso, adoro reencontros, jantares de ex-colegas e tudo o que faça reviver emoções antigas.
Devia ter ido para actriz, assim podia-me deixar estar mais tranquila na vida real.
O que é engraçado é que não gosto de me mascarar. Dá muito trabalho. As outras mudanças também, mas quando gostamos nada dá trabalho. E é o exterior, não me cativa. E depois tenho imenso medo do ridículo. Acho os mascarados (adultos), a maior parte das vezes, patéticos.
Eu gosto é de mudar o “ser”, brincar aos faz de conta com o que sou e sinto. Mas depois sinto de verdade. Por pouco tempo, mas a sério.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Finalmente chegaram a um acordo. Sem falar, sem combinar, e ao fim de tantos anos a discutir o assunto, a esbarrar nas necessidades um do outro. Já não há desculpas, exigências, dúvidas. É assim, sempre igual. Mordaz. Ambos sabem, não questionam, não falam e é confortável. Será?
Há tédio, há raiva, como em todas as situações caladas.
Passa o dia, pronto, já está.
Mas estarão ambos lá?
Há tédio, há raiva, como em todas as situações caladas.
Passa o dia, pronto, já está.
Mas estarão ambos lá?
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Força
Tenho saudades de sentir com força. As coisas completamente. O sempre e o nunca. Sair e não voltar. Encher o vazio e sentir-me completa. Voar e rasgar o azul. Ir lá e não ter medo. Não ter nada a perder e perder-me, a mim, de mim…
De me soltar e sentir a liberdade de fazer tudo. Entre o espaço de ser e a busca do todo, centrar-me e encontrar-me.
Naquele sitio onde somos sempre mais.
Onde vemos o que não está e sabemos o que é simplesmente ser.
De me soltar e sentir a liberdade de fazer tudo. Entre o espaço de ser e a busca do todo, centrar-me e encontrar-me.
Naquele sitio onde somos sempre mais.
Onde vemos o que não está e sabemos o que é simplesmente ser.
Sempre o tempo
Hoje amanheceu diferente, como sempre. O sol brilhou mais tarde, beijando as nuvens molhadas e pondo a terra a sorrir. As pessoas passam indiferentes a este espectáculo magistral de beleza. O tapete azul cinza mesclado do mar, vem e vai no sentido contrário ao do tempo imposto. Falta sincronia neste concerto da natureza com os homens. Estamos longe do que somos. Afastamo-nos cada vez mais.
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