As minhas noites têm sido um desassossego. Nos meus sonhos parece que estou no meio de um filme entre Blade Runner e Lost in Translation. Não sei se por causa do jet lag, do intensa e fantástica que foi a viagem ao Japão ou se por estar a ler antes de dormir o livro “A Rapariga Que Inventou Um Sonho” do Murakami - ainda lá estou! Ou pelo menos o meu sub-consciente. Que viagem fantástica. Foram dias cheios de contrastes, completos, enormes e ao mesmo tempo curtos, corridos, a querer mais. Tanto, tanto, que as minhas noites continuam lá, a viajar, a viver em assombro uma outra viagem. Acordo a meio da noite sobressaltada e quero voltar a adormecer para continuar o sonho. E de manhã sinto tudo mas não me lembro de nada.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
sábado, 20 de janeiro de 2018
Na vida
Acontecem-nos coisas boas e más, fazemos coisas mais ou menos importantes, mas o que verdadeiramente nos define e marca são as relações com os outros.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Amores
Temos esta mania, egoísta, nos amores de querer ser únicos. E somos, só que não em número. Os amores românticos são como o amor em geral, como pelos filhos, que por amarmos muito o segundo não amamos menos o primeiro, e vice-versa e assim sucessivamente. Os amores não se substituem, acrescentam-se.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Filmes sem tempo
Realmente as coisas acontecem quando têm que acontecer, ás vezes não é o tempo certo para isto ou aquilo ou alguém. Até os livros ou os filmes
, acontecem-nos quando os devemos sentir, quando fazem sentido. Foi o caso deste filme e de mim.
"For what it’s worth: it’s never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There’s no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you’re proud of. If you find that you’re not, I hope you have the courage to start all over again."
Eric Roth, The Curious Case of Benjamin Button Screenplay
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Ilusões
Realmente , quando nos queremos iludir, porque queremos muito que alguém, ou uma situação, sejam aquilo que nós gostaríamos ou desejamos, não vemos nada. Nem se estiver mesmo à nossa frente. Nem que outros nos avisem. É impressionante! Há pessoas, ou situações, que são verdadeiras fraudes ou "blufs". E depois , de repente, como que por magia, cai o pano - porque uma ilusão não se consegue manter por muito tempo, é impossível fingir o tempo todo - e só nessa altura conseguimos ver todos os sinais , que estiveram sempre lá, mas que nós não queríamos ver. Enfim, é a vida. E ela continua e vamos continuar a errar e a fingir e a ver os outros fingir e a ter ilusões e a seguir desilusões, e a única coisa que vamos aprendendo é a não ficar tão tristes, nem zangados, nem a deitar culpas - a nós e aos outros - de cada vez que isso acontece. E isso já é um grande passo. Porque uma vida sem um bocadinho de ilusão também não tem muita graça. E porque às vezes é preciso "pintar" as pessoas ou as situações para as vermos mais bonitas.
domingo, 10 de abril de 2016
Porta-retrato
A tua falta sente-se pela casa, nas cadeiras, na mesa de jantar, nas
conversas, nos nossos olhos, na maneira como te procuramos nos teus sítios... A
tua falta enche a casa e não conseguimos pensar em mais nada, senão na tua
ausência tão presente.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Sweet fifthteen
Foi agora, já na idade da não-inocência que demos aquele abraço, que
nos deviamos, que já devia ter sido dado quando eramos tão novos que nada de mal
acontecia, quando a vida em si nos atirava para esse abraço, naturalmente. Como
naquela dança, em que me encostei a ti e nada mais importava. Tudo podia acabar
ali. É quando temos mais futuro, que o futuro não tem importância nenhuma...
Está sempre longe demais. Tudo demorava e por isso tudo era urgente. Agora? Já
nada importa, é tudo relativo. A vida, o tempo, as coisas , é tudo relativo.
Até os sentimentos.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
sonhos
Ao fim deste tempo todo, às vezes, raramente, ainda sonho contigo. E ontem foi assim, cruzámo-nos na rua, vinhas com umas crianças, e eu com as minhas. Não reparei quem vinha atrás de ti. Comecei a sorrir-te assim que te vi, ainda a uns metros de distancia e tu... tu olhaste através de mim. Eu continuei a olhar-te nos olhos e a sorrir, à espera que a um dado momento me visses, mas tu continuaste a olhar através de mim, como se não estivesse ali ninguém, como se eu fosse transparente. E sem parar continuámos o nosso caminho, de costas um para o outro. Tu sem me veres e eu contigo dentro.
sábado, 24 de maio de 2014
Primavera
Gosto da Primavera.
Gosto das coisas quando elas ainda não são, mas já as começo a sentir
de tanto as imaginar.
Gosto da antecipação do bom que aí vem.
Gosto da promessa do que vai ser.
Gosto de sentir o corpo vibrar, sentir as coisas dentro de mim antes de
acontecerem, antecedendo o prazer.
E a Primavera é uma promessa em que posso confiar, o Verão vem sempre a
seguir.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Coisas...
Não podemos mudar as coisas que nos acontecem (desde desgraças a sentimentos), mas podemos mudar a nossa forma de reagir a elas. A nossa atitude perante a vida está nas nossas mãos, isso controlamos e isso faz toda a diferença para a nossa felicidade e paz de espírito!
sábado, 19 de abril de 2014
Morte
Queria morrer assim de repente, como se me apagasse.
Depois do dia acabar, de mansinho, sem me despedir.
Como se não fosse para sempre. Só um bocadinho.
Depois do dia acabar, de mansinho, sem me despedir.
Como se não fosse para sempre. Só um bocadinho.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Passados
Como me senti há muitos anos no Alentejo profundo,
na Mina de Aparis, senti agora no Douro, nesta paisagem agreste, talhada e
sofrida.
Peço licença para entrar, fazer parte, participar do
enlevo, simplesmente. É uma parte de nós que é e não é. Pertencemos e somos
estranhos. De uma qualquer coisa, de um qualquer passado que tanto é nosso como
nos transcende e nos ultrapassa.
O que é que nos faz sentir o passado, as raízes? Quem
passou por aqui igual a nós, sentindo como nós. O que é que partilhamos, todos?
Ao logo da vida, de gerações. O medo da morte, do futuro que é a morte, que é
um fim qualquer? Que não sabemos o que é. Por muita fé, por muito acreditar,
nunca podemos ter a certeza do que há para lá.
Mas por muito que duvide, que questione, sinto
aquelas presenças de outrora. Marcaram. Será que marcamos também?
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