Toda a vida tive dois problemas de alheamento com o (meu) Mundo.
Um é a solidão. Para onde eu caio, literalmente, de vez em quando e sem razão aparente.
A outra é a falta de integração em “grupos”.
Toda a vida tentei, mas nunca me senti integrada e em sintonia com um grupo, durante muito tempo. Seja de amigos, politico, religioso…
Adorava ter um ideal comum com um determinado grupo de pessoas. Com as quais eu me identificasse. Onde me sentisse integrada e compreendida. Mas nunca consigo.
Há sempre uma determinada altura em que ou há simplesmente um clique, ou alguém diz ou faz qualquer coisa que eu não gosto, ou não concordo e pronto! Rompe-se o elo e eu solto-me. E a partir daí, até posso não me afastar completamente, mas já não me sinto lá, já estou à margem. Fico logo muito mais crítica, mais intolerante. Isolo-me e abstenho-me.
(hei-de voltar a escrever sobre estas duas situações. A "solidão", problema recorrente e sobre a qual escrevo desde os 11 anos. E os "grupos" ou "falta de gurus" ou "marginalidade")
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
De dentro
Está mesmo tudo dentro de nós. Finalmente consigo sentir isso, antes só sabia.
Nada tem de vir de fora. Nem o perdão, nem o amor. Que são duas coisas que durante anos pensei dependessem também de outros. A forma como nós relativizamos a culpa e nos aceitamos e amamos vai condicionar os outros à nossa volta e as suas atitudes perante nós.
E é mais difícil, mas somos mais felizes.
É muito mais fácil quando é alguém ou alguma religião a dizer-nos o que está certo ou errado. E depois perdoar-nos sob determinada penitência. Quando é a nossa consciência a responsabilidade é toda nossa. Mas a confiança que daí advém torna-nos mais fortes perante os outros e os seus julgamentos. Porque vem de dentro, porque é sentido.
E o amor?! O amor, agora vejo claramente que está em nós, vem e vai de nós. Como Deus.
Nada tem de vir de fora. Nem o perdão, nem o amor. Que são duas coisas que durante anos pensei dependessem também de outros. A forma como nós relativizamos a culpa e nos aceitamos e amamos vai condicionar os outros à nossa volta e as suas atitudes perante nós.
E é mais difícil, mas somos mais felizes.
É muito mais fácil quando é alguém ou alguma religião a dizer-nos o que está certo ou errado. E depois perdoar-nos sob determinada penitência. Quando é a nossa consciência a responsabilidade é toda nossa. Mas a confiança que daí advém torna-nos mais fortes perante os outros e os seus julgamentos. Porque vem de dentro, porque é sentido.
E o amor?! O amor, agora vejo claramente que está em nós, vem e vai de nós. Como Deus.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Incensação
Num Natal, a minha filha, que tinha uns 4 ou 5 anos, veio da escola com uma estrela em cartolina onde tinha de fazer um desenho e (a mãe…) escrever alguma coisa alusiva ao Natal. Era para pendurar na árvore da sua sala. Ela começou por fazer o desenho, uma boneca tipo anjo, de véu ou cabelo comprido, com as mãos postas, levemente elevadas ao céu. E uma outra boneca, atrás, mais pequenina. Estava lindo. A seguir pus-me a ler citações variadas que eu tinha nuns caderninhos antigos onde eu assentava coisas que lia e gostava. Depois de vários, curtos, simples e mais apropriados à sua idade e que ela sistematicamente recusava deparei-me com este poema da minha Tia e li-o.
Sem hesitações ela disse: “É este!”
E o desenho, feito antes, ilustrava surpreendentemente o poema.
Sem hesitações ela disse: “É este!”
E o desenho, feito antes, ilustrava surpreendentemente o poema.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Porta-retrato
Não suporto mais ver-te ali. A sorrir, como se ainda fosses feliz. Não aguento mais… Sentir o teu olhar nas paredes. O teu cheiro no quarto. Andar, e no vento ouvir o meu nome. Ver-te nos olhos deles. No sorriso que me espera. Estás em todo o lado. E continuas dentro de mim. Na minha pele o toque ainda é teu. Vai! Vai para onde estás…
sábado, 22 de maio de 2010
Cheiros # 2
E depois há os sobrenaturais. Os das energias, dos sentimentos, os surreais.
Subtis, suaves, apercebem-se e quase não se sentem.
O mesmo aroma, não é igual para toda a gente. E o mesmo aroma, com a mesma pessoa, não é sempre igual.
Definem coisas. Aparecem de repente, como que vindos do nada.
E desaparecem, ou não. São os cheiros do outro mundo.
Subtis, suaves, apercebem-se e quase não se sentem.
O mesmo aroma, não é igual para toda a gente. E o mesmo aroma, com a mesma pessoa, não é sempre igual.
Definem coisas. Aparecem de repente, como que vindos do nada.
E desaparecem, ou não. São os cheiros do outro mundo.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Cheiros
O que mais facilmente me transporta no tempo, com um “clic” para o passado, para memórias e vivências, são os cheiros. Logo a seguir é a música, há autênticas bandas sonoras de algumas partes/filmes da nossa vida.
Mas os cheiros é que me levam imediatamente e inteira para lá, para aquele sítio, com aquelas pessoas, naquela situação. Pelo cheiro lembro-me logo se era de manhã ou de noite, porque as partes do dia têm cheiros diferentes. Lembro-me se estava feliz ou triste. O cheiro como que entra em mim, fecho os olhos, ele percorre-me, envolve-me e leva-me lá.
Ás vezes aparece de repente, cheiro um determinado aroma, tudo pára, e lá vou eu, e a maior parte destes cheiros eu nem me lembro que eles existiram. Mas quando aparecem, toda a cena daquele tempo, ao pormenor, é reconstituída.
Há os cheiros que eu gosto de recordar como quem abre um álbum de fotografias, mas mais sentido, mais palpável, mais de pele do que uma fotografia.
Também existem cheiros que me lembram momentos tristes, como o das velas a derreter na capela da nossa casa durante os velatórios.
Mas todos, são saudade.
O cheiro naquela manhã igual a tantas outras, em Lisboa, num dia de sol, mas que a frescura matinal ainda paira, que nem o escape dos carros, nem o barulho das gentes, impede que a sua essência prevaleça e ela fique diferente das outras mas igual aquelas manhãs de antigamente.
O cheiro dum mergulho na piscina, que de repente me leva aos banhos da juventude em tanques de rega improvisados, de paredes caiadas e água da nascente, sem cloros, sem desinfectantes, o cheiro puro da água. Que só por si carrega todas as memórias.
O cheiro da maresia, o misto de praia, mar e azul. É dos cheiros com mais referências para mim. Conforme a intensidade, leva-me para este ou aquele verão, para esta ou aquela história.
O cheiro da dama-da-noite, perfume intenso e doce, que envolveu tantas noites da minha vida.
O cheiro do colo da minha Avó.
O cheiro dos raminhos de alfazema que se deitavam na braseira, nos dias frios e chuvosos dos invernos alentejanos e que deixavam entrar o campo para dentro da casa fechada.
O cheiro das gavetas de roupa lavada e engomada
O cheiro do frio, das manhãs em que a geada cobria tudo.
É de manhã e à noite que os cheiros são mais puros, mais intensos, mais vibrantes. Trazendo a energia das suas memórias.
Mas os cheiros é que me levam imediatamente e inteira para lá, para aquele sítio, com aquelas pessoas, naquela situação. Pelo cheiro lembro-me logo se era de manhã ou de noite, porque as partes do dia têm cheiros diferentes. Lembro-me se estava feliz ou triste. O cheiro como que entra em mim, fecho os olhos, ele percorre-me, envolve-me e leva-me lá.
Ás vezes aparece de repente, cheiro um determinado aroma, tudo pára, e lá vou eu, e a maior parte destes cheiros eu nem me lembro que eles existiram. Mas quando aparecem, toda a cena daquele tempo, ao pormenor, é reconstituída.
Há os cheiros que eu gosto de recordar como quem abre um álbum de fotografias, mas mais sentido, mais palpável, mais de pele do que uma fotografia.
Também existem cheiros que me lembram momentos tristes, como o das velas a derreter na capela da nossa casa durante os velatórios.
Mas todos, são saudade.
O cheiro naquela manhã igual a tantas outras, em Lisboa, num dia de sol, mas que a frescura matinal ainda paira, que nem o escape dos carros, nem o barulho das gentes, impede que a sua essência prevaleça e ela fique diferente das outras mas igual aquelas manhãs de antigamente.
O cheiro dum mergulho na piscina, que de repente me leva aos banhos da juventude em tanques de rega improvisados, de paredes caiadas e água da nascente, sem cloros, sem desinfectantes, o cheiro puro da água. Que só por si carrega todas as memórias.
O cheiro da maresia, o misto de praia, mar e azul. É dos cheiros com mais referências para mim. Conforme a intensidade, leva-me para este ou aquele verão, para esta ou aquela história.
O cheiro da dama-da-noite, perfume intenso e doce, que envolveu tantas noites da minha vida.
O cheiro do colo da minha Avó.
O cheiro dos raminhos de alfazema que se deitavam na braseira, nos dias frios e chuvosos dos invernos alentejanos e que deixavam entrar o campo para dentro da casa fechada.
O cheiro das gavetas de roupa lavada e engomada
O cheiro do frio, das manhãs em que a geada cobria tudo.
É de manhã e à noite que os cheiros são mais puros, mais intensos, mais vibrantes. Trazendo a energia das suas memórias.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Paz
É aquilo que sinto quando tudo se acalma. Quando a noite envolve o mundo mas há Luz. Quando tu não estás mas eu te sinto. E todos os que já partiram, voltam. E o seu abraço é Amor. Quando fecho os olhos, e vejo. Quando umas coisas acabam e outras começam. Quando consigo ver mais ao longe. Para lá de tudo, por cima das casas, do mar, do céu. E o meu horizonte se pinta de azul. Quando ouço o silêncio e ele me devolve o canto. E as vozes me falam por dentro. Quando as lágrimas caem, mas porque estou em Paz. E eu sei.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Pedaços IV
Olho para ti e engulo, tudo o que passa, o tempo que não tivemos.
Não vás! Fica comigo, escolhe-me e leva-me. Eu estou aqui e tu sabes.
Solta, encolhida, feliz, a viver, com a saudade.
Fico quieta , fecho os olhos e escuto, a melodia de sempre.
Não vás! Fica comigo, escolhe-me e leva-me. Eu estou aqui e tu sabes.
Solta, encolhida, feliz, a viver, com a saudade.
Fico quieta , fecho os olhos e escuto, a melodia de sempre.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Deus e a Fé
Eu tenho FÉ. Acredito em Deus. Acredito, admiro e amo Jesus. Sinto-me filha de Deus e venero Nossa Senhora. Sempre tive uma educação católica, das antigas, mas sempre tentei ver as coisas de uma forma aberta e não acreditar em tudo cegamente. A minha necessidade de espiritualidade e de dar explicações ao sobrenatural sempre me fizeram olhar para o lado em relação às outras religiões. Vendo muitas coisas similares, nos seus princípios mais básicos, divergindo depois nos mais práticos e por isso adaptando-se cada uma às tradições de cada povo. Ou seja, sempre achei que como nasci em Portugal sou católica, mas se tivesse nascido noutro sítio seria outra coisa qualquer, mas nunca ateia.
Mas quando falamos de Igreja a coisa muda, e tenho também com ela uma relação muito minha, e que tenho tentado melhorar através dos anos.
A nossa relação com a Igreja tem mesmo que ser pessoal, nós somos individuais, a Igreja são os indivíduos que dela fazem parte, logo todos somos a Igreja. E todos temos o direito de fazer parte dela, cada um com a sua individualidade e com a sua relação com Deus. Só quem tem muita Fé e acredita na imensidão do amor de Deus é que consegue assumir este compromisso com Ele, sem precisar que outros homens lhe digam como agir.
Não são os indivíduos que fazem parte da Igreja que se julgam uns aos outros. É só Deus, nesta relação “eu-Deus” que só Ele conhece, mais ninguém.
Não reconheço aos padres nem a ninguém o direito de me julgar ou de me dizer como eu devo viver a minha vida. A minha fé é suficientemente grande para eu assumir a responsabilidade perante Deus dos meus actos.
E depois, se estiver a fazer alguma coisa mal quem vai arder no Inferno sou eu, por isso…
Mas não tem sido fácil e não cheguei a este patamar assim de repente não. Tenho falado com pessoas, da Igreja e não só. Pensado, repensado, sonhado e meditado (menos…). E às vezes ainda tenho dúvidas.
Eu podia viver a minha Fé, sem precisar da Igreja pois podia, mas eu sinto-me bem a integrar, a fazer parte de uma coisa maior e na verdade sinto-me parte dela e gosto dos rituais. Cada vez que presencio o momento mágico da elevação, sinto que um milagre acontece. Não tenho a mais pequena dúvida que é Deus que entra ali. Este poder iniciático de convocação, muito mais importante do que o de julgar os demais, eu reconheço totalmente aos padres.
A Igreja católica, instituição, como tudo na vida onde há pessoas e poder, tem tido partes muito negras. Mas também tem feito coisas fantásticas. Assim como há padres e leigos demasiado moralistas, que querem que todos sejam castos à sua medida, que aspiram à Santidade (acho isto quase blasfémia), que ainda acham que “O pecado” continua a ser o sexo, ou com quem se pratica…Há outros que são egoístas, tarados, assassinos, pedófilos. Uns não concordam com a minha postura e outros há que eu não concordo com a deles. Pois não são uns nem outros que me vão afastar da minha Igreja.
Para eu ter a liberdade de participar também tenho que dar aos outros essa liberdade. Não julgar, nunca, nós não somos Deus. E Ele enviou o Seu Filho para nos ensinar a amar, e os homens continuam a dar importância a mesquinhices e a desvalorizar o mais importante.
Só gostava que deixassem as pessoas em paz e não continuassem a ensinar às nossas crianças a religião do medo, da hipocrisia, dos falsos moralismos e do preconceito.
Por isso eu não consigo virar as costas, quero fazer parte para mostrar ao mundo que a Igreja também é assim, também tem pessoas como eu, que se assumem como são e se entregam sem medo nas mãos de Deus.
Mas quando falamos de Igreja a coisa muda, e tenho também com ela uma relação muito minha, e que tenho tentado melhorar através dos anos.
A nossa relação com a Igreja tem mesmo que ser pessoal, nós somos individuais, a Igreja são os indivíduos que dela fazem parte, logo todos somos a Igreja. E todos temos o direito de fazer parte dela, cada um com a sua individualidade e com a sua relação com Deus. Só quem tem muita Fé e acredita na imensidão do amor de Deus é que consegue assumir este compromisso com Ele, sem precisar que outros homens lhe digam como agir.
Não são os indivíduos que fazem parte da Igreja que se julgam uns aos outros. É só Deus, nesta relação “eu-Deus” que só Ele conhece, mais ninguém.
Não reconheço aos padres nem a ninguém o direito de me julgar ou de me dizer como eu devo viver a minha vida. A minha fé é suficientemente grande para eu assumir a responsabilidade perante Deus dos meus actos.
E depois, se estiver a fazer alguma coisa mal quem vai arder no Inferno sou eu, por isso…
Mas não tem sido fácil e não cheguei a este patamar assim de repente não. Tenho falado com pessoas, da Igreja e não só. Pensado, repensado, sonhado e meditado (menos…). E às vezes ainda tenho dúvidas.
Eu podia viver a minha Fé, sem precisar da Igreja pois podia, mas eu sinto-me bem a integrar, a fazer parte de uma coisa maior e na verdade sinto-me parte dela e gosto dos rituais. Cada vez que presencio o momento mágico da elevação, sinto que um milagre acontece. Não tenho a mais pequena dúvida que é Deus que entra ali. Este poder iniciático de convocação, muito mais importante do que o de julgar os demais, eu reconheço totalmente aos padres.
A Igreja católica, instituição, como tudo na vida onde há pessoas e poder, tem tido partes muito negras. Mas também tem feito coisas fantásticas. Assim como há padres e leigos demasiado moralistas, que querem que todos sejam castos à sua medida, que aspiram à Santidade (acho isto quase blasfémia), que ainda acham que “O pecado” continua a ser o sexo, ou com quem se pratica…Há outros que são egoístas, tarados, assassinos, pedófilos. Uns não concordam com a minha postura e outros há que eu não concordo com a deles. Pois não são uns nem outros que me vão afastar da minha Igreja.
Para eu ter a liberdade de participar também tenho que dar aos outros essa liberdade. Não julgar, nunca, nós não somos Deus. E Ele enviou o Seu Filho para nos ensinar a amar, e os homens continuam a dar importância a mesquinhices e a desvalorizar o mais importante.
Só gostava que deixassem as pessoas em paz e não continuassem a ensinar às nossas crianças a religião do medo, da hipocrisia, dos falsos moralismos e do preconceito.
Por isso eu não consigo virar as costas, quero fazer parte para mostrar ao mundo que a Igreja também é assim, também tem pessoas como eu, que se assumem como são e se entregam sem medo nas mãos de Deus.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Sonhei com uma dança
Sonhei com uma dança!
Sonhei que tu, desconhecido, atravessavas a sala, olhando-me nos olhos, sorrindo e eu sorrindo em troca. Como se te esperasse, como se ansiasse há muito a tua chegada, como se soubéssemos.
Demos os braços, abraçaste-me, enlaçaste-me e eu encaixei-me em ti como se já soubéssemos.
E começamos a dançar, rodopiar, como uma valsa.
E eu sentia os teus braços à minha volta, fortes, seguros. A tua mão, dada, com a minha, como se sempre estivesse. O calor do teu corpo junto ao meu, como se pertencessem. E umas vezes encostavas a tua cara à minha e outras vezes olhavas-me nos olhos, como se me visses.
E sempre a dançar, a flutuar, como se voássemos. E não havia mais nada à volta. Era o céu.
Sonhei que tu, desconhecido, atravessavas a sala, olhando-me nos olhos, sorrindo e eu sorrindo em troca. Como se te esperasse, como se ansiasse há muito a tua chegada, como se soubéssemos.
Demos os braços, abraçaste-me, enlaçaste-me e eu encaixei-me em ti como se já soubéssemos.
E começamos a dançar, rodopiar, como uma valsa.
E eu sentia os teus braços à minha volta, fortes, seguros. A tua mão, dada, com a minha, como se sempre estivesse. O calor do teu corpo junto ao meu, como se pertencessem. E umas vezes encostavas a tua cara à minha e outras vezes olhavas-me nos olhos, como se me visses.
E sempre a dançar, a flutuar, como se voássemos. E não havia mais nada à volta. Era o céu.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Ritmo
O ritmo comanda a vida !
Sempre achei importante ou preocupante, a presença ou ausência de ritmo, mas era só para dançar. Apesar de sempre ter achado que era uma carecterística de pessoas com mais jeito que outras para muitas outras coisas.
Mas agora, cheguei à conclusão que é mesmo uma coisa importantíssima. E a dança passou para segundo plano. Tomemos o BEIJAR como exemplo! Sabem quando se beija alguém e os narizes esbarram? Ou quando a duração de um dos sub-beijinhos é maior para um e menor para o outro? Ou quando as mãos parecem desconexas com o movimento própriamente dito do beijo? Pois é isto a falta de ritmo a beijar, é a falta de ritmo entre duas pessoas, é a falta de ritmo numa relação.
Agora experimentem beijar alguém totalmente dentro do mesmo ritmo.
É alucinante! Parece que todos os gestos foram ensaiados, desde o tal simples rodar da cabeça (sem narizes a esbarrar), os sub-beijinhos acontecem ao mesmo tempo, exactamente com a mesma duração. As mãos dão-se e desdão-se com a mesma cadência. As carícias, a respiração são ao compasso, e tudo, mas tudo se encaixa na perfeição.
Parece uma dança muito bem ensaiada. Voltamos à dança…
Daí, pus-me a pensar e realmente o ritmo é importante para tudo num relacionamento amoroso. Para além do ritmo a beijar, é o ritmo a fazer amor, a conversar, a divertir-se, nas férias, a ir ás compras…! É em tudo.
Sempre achei importante ou preocupante, a presença ou ausência de ritmo, mas era só para dançar. Apesar de sempre ter achado que era uma carecterística de pessoas com mais jeito que outras para muitas outras coisas.
Mas agora, cheguei à conclusão que é mesmo uma coisa importantíssima. E a dança passou para segundo plano. Tomemos o BEIJAR como exemplo! Sabem quando se beija alguém e os narizes esbarram? Ou quando a duração de um dos sub-beijinhos é maior para um e menor para o outro? Ou quando as mãos parecem desconexas com o movimento própriamente dito do beijo? Pois é isto a falta de ritmo a beijar, é a falta de ritmo entre duas pessoas, é a falta de ritmo numa relação.
Agora experimentem beijar alguém totalmente dentro do mesmo ritmo.
É alucinante! Parece que todos os gestos foram ensaiados, desde o tal simples rodar da cabeça (sem narizes a esbarrar), os sub-beijinhos acontecem ao mesmo tempo, exactamente com a mesma duração. As mãos dão-se e desdão-se com a mesma cadência. As carícias, a respiração são ao compasso, e tudo, mas tudo se encaixa na perfeição.
Parece uma dança muito bem ensaiada. Voltamos à dança…
Daí, pus-me a pensar e realmente o ritmo é importante para tudo num relacionamento amoroso. Para além do ritmo a beijar, é o ritmo a fazer amor, a conversar, a divertir-se, nas férias, a ir ás compras…! É em tudo.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Impaciência
O meu maior defeito, de todos os que tenho, e são muitos…é a falta de paciência!
Não é a intolerância de que muitas vezes sou acusada, não. É mesmo Impaciência, assim com letra grande.
É isso que me torna pior, em todas as ocasiões. Já pensei que era falta de calma, também tenho, mas não é isso. É mesmo que eu não tenho paciência para as pessoas. Para as que me fazem esperar, as que não percebem as coisas à primeira, as que não percebem à segunda, nem à terceira…
Para as pessoas, que sem culpa nenhuma, estão em situações para as quais eu não tenho paciência. Por exemplo, a menina numa caixa de supermercado, que está com uma bicha de gente que, ou se esquece de não sei o quê, ou trouxe uma coisa sem preço. Não tenho paciência, pronto.
Até nestas situações normais da vida de todos os dias.
Não tenho paciência quando as pessoas impedem a vida de fluir. Quando colocam entraves, quando perguntam estupidezes, quando param.
E depois há os casos piores que são os que trazem à tona o pior que há em mim. Não tenho paciência para pessoas estúpidas, racistas, intolerantes, hipócritas e falsas.
Por último, (but not the least…) ás vezes não tenho é paciência para mim. Não tenho paciência para a minha falta de paciência com as pessoas de quem eu gosto. Principalmente com os meus filhos, que adoro acima de tudo e todos, e que à semelhança da menina da caixa do supermercado não têm culpa. De ser ainda pequenos e de não saber e pensar como adultos, ou talvez como eu.
Não é a intolerância de que muitas vezes sou acusada, não. É mesmo Impaciência, assim com letra grande.
É isso que me torna pior, em todas as ocasiões. Já pensei que era falta de calma, também tenho, mas não é isso. É mesmo que eu não tenho paciência para as pessoas. Para as que me fazem esperar, as que não percebem as coisas à primeira, as que não percebem à segunda, nem à terceira…
Para as pessoas, que sem culpa nenhuma, estão em situações para as quais eu não tenho paciência. Por exemplo, a menina numa caixa de supermercado, que está com uma bicha de gente que, ou se esquece de não sei o quê, ou trouxe uma coisa sem preço. Não tenho paciência, pronto.
Até nestas situações normais da vida de todos os dias.
Não tenho paciência quando as pessoas impedem a vida de fluir. Quando colocam entraves, quando perguntam estupidezes, quando param.
E depois há os casos piores que são os que trazem à tona o pior que há em mim. Não tenho paciência para pessoas estúpidas, racistas, intolerantes, hipócritas e falsas.
Por último, (but not the least…) ás vezes não tenho é paciência para mim. Não tenho paciência para a minha falta de paciência com as pessoas de quem eu gosto. Principalmente com os meus filhos, que adoro acima de tudo e todos, e que à semelhança da menina da caixa do supermercado não têm culpa. De ser ainda pequenos e de não saber e pensar como adultos, ou talvez como eu.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O tempo, sempre o tempo...
Todos sabemos que o mundo gira, que tudo passa, que o tempo corre esbaforido lá pró fim e mesmo assim queremos que as coisas não mudem. Que parem no tempo exactamente como gostamos e nos lembramos delas.
É aquela sensação de calmia, de silêncio, com que a natureza ás vezes nos presenteia, que nos engana.
Parece mesmo que é possível.
Mas nunca é.
É aquela sensação de calmia, de silêncio, com que a natureza ás vezes nos presenteia, que nos engana.
Parece mesmo que é possível.
Mas nunca é.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A minha casa côr de rosa
Ontem, sem aviso prévio, ou seja sem estar preparada, entrei na minha antiga casa. Choque! Primeiro, eu, a bater à “minha” porta! Demoraram a abrir, estavam no jardim, lá atrás, onde não se ouve a campainha, e eu ouvia-os a falar, rir, pareciam-me intrusos, ali tão á-vontade, como se aquilo fosse deles. Depois de um telefonema lá veio ela abrir a porta. Muito simpática, convidou-nos a entrar. Os meus filhos entraram de rompante, numa ânsia de ver, eu a medo, sem querer mostrar e ao mesmo tempo a fazer de conta que aquilo era normal, que não me fazia impressão. Mas estava a sentir tudo, a lembrar-me de tudo! À medida que ía entrando, o jardim, as escadas do alpendre, o corredor, o escritório, a sala de jantar...Foram 10 anos.
As primeiras visitas, quando ela ainda era uma casa abandonada. O amor à primeira vista quando a escolhemos, as visitas semanais durante um ano enquanto a púnhamos de novo bonita, nova. As flores que plantámos, os meus filhos que cresceram ali. Naqueles minutos, breves, à pressa, a fazer conversa de circunstância, tudo me veio à cabeça, como um filme. Lembrei-me de chegar da maternidade com a minha filha, vi os primeiros passos dos meus filhos no corredor, ouvi os seus choros de bebé, lembrei-me do que sentia em cada situação. Estávamos na sala e a minha filha pediu-me em segredo para ver o seu quarto, ela ouviu e insistiu para subirmos. Que impressão! Da janela lá de cima vimos o resto da família no jardim lá de trás. A minha filha encostou a testa ao vidro e temi que chorasse. “Ela é muito sentimentalona” disse eu a disfarçar. “Faz-lhe impressão, é?” …”Pois, disse eu, se até a mim faz”…Ela, amorosa, disse-lhe que podia voltar sempre que quisesse, brincar com os filhos dela.
Apressei a saída, com uma vontade imensa de entrar em todas as divisões, de senti-las outra vez, de lembrar tudo o que vivi em cada uma delas, mas sozinha, sem ter que fazer conversa, sem ter que disfarçar. Bem que eu queria ter vendido a casa a alguém meu amigo, para poder continuar a visitá-la. Mas já não sei se quero, é aquele masoquismo, aquela curiosidade sádica, sabemos que vai doer, mas mesmo assim queremos sentir.
Enfim, já passou…
As primeiras visitas, quando ela ainda era uma casa abandonada. O amor à primeira vista quando a escolhemos, as visitas semanais durante um ano enquanto a púnhamos de novo bonita, nova. As flores que plantámos, os meus filhos que cresceram ali. Naqueles minutos, breves, à pressa, a fazer conversa de circunstância, tudo me veio à cabeça, como um filme. Lembrei-me de chegar da maternidade com a minha filha, vi os primeiros passos dos meus filhos no corredor, ouvi os seus choros de bebé, lembrei-me do que sentia em cada situação. Estávamos na sala e a minha filha pediu-me em segredo para ver o seu quarto, ela ouviu e insistiu para subirmos. Que impressão! Da janela lá de cima vimos o resto da família no jardim lá de trás. A minha filha encostou a testa ao vidro e temi que chorasse. “Ela é muito sentimentalona” disse eu a disfarçar. “Faz-lhe impressão, é?” …”Pois, disse eu, se até a mim faz”…Ela, amorosa, disse-lhe que podia voltar sempre que quisesse, brincar com os filhos dela.
Apressei a saída, com uma vontade imensa de entrar em todas as divisões, de senti-las outra vez, de lembrar tudo o que vivi em cada uma delas, mas sozinha, sem ter que fazer conversa, sem ter que disfarçar. Bem que eu queria ter vendido a casa a alguém meu amigo, para poder continuar a visitá-la. Mas já não sei se quero, é aquele masoquismo, aquela curiosidade sádica, sabemos que vai doer, mas mesmo assim queremos sentir.
Enfim, já passou…
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Viver
Quero contar, falar, abrir-me. Quero expôr-me e mostrar tudo o que tenho e sou.
Sinto uma vontade louca de viver em expansão total, sair de dentro de mim para o mundo. Viver todas as histórias, as minhas, as reais, as sonhadas, as inventadas
Ser eu, o outro e a outra. Quero abrir-me e entregar-me. Tirar as algemas, despir-me dos medos, limpar-me de mágoas, chorar em público. Quero ser verdadeira, ser mentira, ser igual e ser eu mesma. Sem pudor, de braços abertos, mãos postas, cabelo ao vento. Quero voar, subir ao céu, beber a chuva, agarrar a terra, sujar as mãos e despir-me de tudo. E voltar, e ir e explodir de vida. Sem paciência, sem pressa, sem pensar. Amando. Só.
Sinto uma vontade louca de viver em expansão total, sair de dentro de mim para o mundo. Viver todas as histórias, as minhas, as reais, as sonhadas, as inventadas
Ser eu, o outro e a outra. Quero abrir-me e entregar-me. Tirar as algemas, despir-me dos medos, limpar-me de mágoas, chorar em público. Quero ser verdadeira, ser mentira, ser igual e ser eu mesma. Sem pudor, de braços abertos, mãos postas, cabelo ao vento. Quero voar, subir ao céu, beber a chuva, agarrar a terra, sujar as mãos e despir-me de tudo. E voltar, e ir e explodir de vida. Sem paciência, sem pressa, sem pensar. Amando. Só.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Carta ao DN de 19/06/1995
Para a familia e amigos de Alcindo Monteiro, cabo verdiano, assassinado no bairro alto, Lisboa, a 10 Junho 1995.
“Venho por este meio apresentar à família e amigos, do Alcindo, os meus mais sinceros sentimentos.
Como portuguesa sinto-me envergonhada, como ser humano sinto-me revoltada com tudo o que aconteceu, e principalmente, extremamente triste.
Quero com esta minha carta, mostrar-vos que mesmo assim, e apesar de tudo, a maioria dos portugueses não são como aquela minoria, marginal, desajustada, complexada, fraca, cobarde, sem referências e sem princípios.
Que para se afirmar, se junta em grupos, se veste de igual e rapa a cabeça; para se sentirem inseridos em qualquer coisa, se denomina ridiculamente de “skins”, movimento “internacional” para estes “nacionalistas”; que para mostrar força, batem e matam pessoas indefesas.
Sem perceber que todo o seu comportamento só demonstra aquilo que realmente são, uns vermes cobardes, autêntico lixo, um projecto fracassado de ser humano.
Quero também expressar a minha admiração por vós, cabo verdianos, Africanos em geral, vindos das ex-colónias portuguesas, que depois de tudo o que passaram lá, vêm para Portugal, honrar-nos ao serem portugueses.
É uma honra e um privilégio poder considerá-los irmãos, cidadãos do mesmo País.
Dão-nos, ao nosso País, o vosso trabalho, a vossa simpatia, a vossa alegria, o vosso calor, a vossa música, a vossa dança, a vossa cultura, e acima de tudo a vossa dignidade.
Obrigada!
E peço desculpa em nome daqueles, e em nome de todos os portugueses, por não sabermos recebê-los como devíamos e como mereciam.
De uma cidadã portuguesa, solidária com a vossa dor. “
“Venho por este meio apresentar à família e amigos, do Alcindo, os meus mais sinceros sentimentos.
Como portuguesa sinto-me envergonhada, como ser humano sinto-me revoltada com tudo o que aconteceu, e principalmente, extremamente triste.
Quero com esta minha carta, mostrar-vos que mesmo assim, e apesar de tudo, a maioria dos portugueses não são como aquela minoria, marginal, desajustada, complexada, fraca, cobarde, sem referências e sem princípios.
Que para se afirmar, se junta em grupos, se veste de igual e rapa a cabeça; para se sentirem inseridos em qualquer coisa, se denomina ridiculamente de “skins”, movimento “internacional” para estes “nacionalistas”; que para mostrar força, batem e matam pessoas indefesas.
Sem perceber que todo o seu comportamento só demonstra aquilo que realmente são, uns vermes cobardes, autêntico lixo, um projecto fracassado de ser humano.
Quero também expressar a minha admiração por vós, cabo verdianos, Africanos em geral, vindos das ex-colónias portuguesas, que depois de tudo o que passaram lá, vêm para Portugal, honrar-nos ao serem portugueses.
É uma honra e um privilégio poder considerá-los irmãos, cidadãos do mesmo País.
Dão-nos, ao nosso País, o vosso trabalho, a vossa simpatia, a vossa alegria, o vosso calor, a vossa música, a vossa dança, a vossa cultura, e acima de tudo a vossa dignidade.
Obrigada!
E peço desculpa em nome daqueles, e em nome de todos os portugueses, por não sabermos recebê-los como devíamos e como mereciam.
De uma cidadã portuguesa, solidária com a vossa dor. “
domingo, 17 de janeiro de 2010
Coisas da idade
Isto da idade é uma ganda treta.
Vamos lá ver. Uma pessoa parece mais nova do que é, pelo menos é o que dizem e nós, temos que confessar, achamos sempre isso. Raramente uma pessoa se vê ao espelho como é realmente, ou no mínimo como os outros nos vêm, e esses outros também variam entre si…(ganda treta!) .
Um exemplo, falando de pessoas na casa dos 40, um pouco antes e um pouco depois. Vem alguém e pergunta a nossa idade, invariavelmente é gente um pouco mais nova, uns 5 ou 6 anos. Nem os muito mais novos, por pudor, nem os muito mais velhos por desinteresse, perguntam a idade.
Então nós respondemos: “Tenho “tal” . E eles: “Não !!!!! A sério???” e nós “ Sim, é verdade!” E vamos ficando mais animados por dentro… E eles “Não parece nada, eu achava que tinhas… pronto, uns “tal”! E esses “tal” que eles nos dão, são menos uns míseros 4 anos! Para nós nada, para eles muito, mas não tão pouco como sermos da idade deles, que, como disse ao inicio, dista de nós uns 5 ou 6 anos, mas como também já disse, cada um sente-se sempre mais novo.
E a animação passa. A cara que fazem e que espelha o que lhes vai na alma, e nós sabemos bem porque já tivemos aquela idade, há bem pouco tempo. É que eles então olham-nos tipo “coitada, afinal é mais velha, já tem “tal” !!!” Em vez de olhar-nos tipo “ fantástica, não parece nada, é como se não tivesse esta idade, quem me dera estar assim daqui a 5 anos…”
Ao dizermos a nossa verdadeira idade , mesmo quando não parecemos, ficamos rotuladas com aquela idade, passamos imediatamente de “não-sei-que-idade-tem-mas-parece-pouco” para “não-parece-mas-É-velha”.
A idade, que é tempo, é relativo!
Vamos lá ver. Uma pessoa parece mais nova do que é, pelo menos é o que dizem e nós, temos que confessar, achamos sempre isso. Raramente uma pessoa se vê ao espelho como é realmente, ou no mínimo como os outros nos vêm, e esses outros também variam entre si…(ganda treta!) .
Um exemplo, falando de pessoas na casa dos 40, um pouco antes e um pouco depois. Vem alguém e pergunta a nossa idade, invariavelmente é gente um pouco mais nova, uns 5 ou 6 anos. Nem os muito mais novos, por pudor, nem os muito mais velhos por desinteresse, perguntam a idade.
Então nós respondemos: “Tenho “tal” . E eles: “Não !!!!! A sério???” e nós “ Sim, é verdade!” E vamos ficando mais animados por dentro… E eles “Não parece nada, eu achava que tinhas… pronto, uns “tal”! E esses “tal” que eles nos dão, são menos uns míseros 4 anos! Para nós nada, para eles muito, mas não tão pouco como sermos da idade deles, que, como disse ao inicio, dista de nós uns 5 ou 6 anos, mas como também já disse, cada um sente-se sempre mais novo.
E a animação passa. A cara que fazem e que espelha o que lhes vai na alma, e nós sabemos bem porque já tivemos aquela idade, há bem pouco tempo. É que eles então olham-nos tipo “coitada, afinal é mais velha, já tem “tal” !!!” Em vez de olhar-nos tipo “ fantástica, não parece nada, é como se não tivesse esta idade, quem me dera estar assim daqui a 5 anos…”
Ao dizermos a nossa verdadeira idade , mesmo quando não parecemos, ficamos rotuladas com aquela idade, passamos imediatamente de “não-sei-que-idade-tem-mas-parece-pouco” para “não-parece-mas-É-velha”.
A idade, que é tempo, é relativo!
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Pedaços III
Aquelas ruas com pedras grandes, altas, gordas
Pequenos mundos, palcos, cenários
Planícies, montes, campanários
Ermidas caiadas de branco, recortadas no fogo do céu do entardecer
Ruas iguais ás outras e a todas
Esquinas escuras onde nos escondíamos
Onde me agarravas e me davas tudo
Já não há nada
Olho e não vejo
O que tenho já não é teu
Eu, já não me sinto em ti.
Pequenos mundos, palcos, cenários
Planícies, montes, campanários
Ermidas caiadas de branco, recortadas no fogo do céu do entardecer
Ruas iguais ás outras e a todas
Esquinas escuras onde nos escondíamos
Onde me agarravas e me davas tudo
Já não há nada
Olho e não vejo
O que tenho já não é teu
Eu, já não me sinto em ti.
Pedaços II
Num tempo qualquer fomos amantes
Únicos, marginais dos outros
Tu entravas em mim como eu própria
Sem diferença
Olha para mim!
Vê-me, sente-me!
Tu já não estás,
E o meu corpo treme, frio, abandonado
Tu eras eu
Únicos, marginais dos outros
Tu entravas em mim como eu própria
Sem diferença
Olha para mim!
Vê-me, sente-me!
Tu já não estás,
E o meu corpo treme, frio, abandonado
Tu eras eu
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pedaços I
Sinto o meu corpo inerte, estendido, a penumbra sobe, estilhaça-se, os pedaços caem
Cortantes, penetram em mim e rasgo-me
Tu tomas-me, agarras o que tenho e te quero dar
Não te sinto em mim
Traíste o que não te dei
Cortantes, penetram em mim e rasgo-me
Tu tomas-me, agarras o que tenho e te quero dar
Não te sinto em mim
Traíste o que não te dei
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