terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vieste ver-me. Surpreendeste-me com um toque no ombro que me fez olhar para trás e um calafrio percorreu o meu corpo.
Continuas a tocar aquela música. Continuas a bater certo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Força

Tenho saudades de sentir com força. As coisas completamente. O sempre e o nunca. Sair e não voltar. Encher o vazio e sentir-me completa. Voar e rasgar o azul. Ir lá e não ter medo. Não ter nada a perder e perder-me, a mim, de mim…
De me soltar e sentir a liberdade de fazer tudo. Entre o espaço de ser e a busca do todo, centrar-me e encontrar-me.
Naquele sitio onde somos sempre mais.
Onde vemos o que não está e sabemos o que é simplesmente ser.

Sempre o tempo

Hoje amanheceu diferente, como sempre. O sol brilhou mais tarde, beijando as nuvens molhadas e pondo a terra a sorrir. As pessoas passam indiferentes a este espectáculo magistral de beleza. O tapete azul cinza mesclado do mar, vem e vai no sentido contrário ao do tempo imposto. Falta sincronia neste concerto da natureza com os homens. Estamos longe do que somos. Afastamo-nos cada vez mais.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sem palavras

Começo o ano com falta de palavras. Não me saem. Nem sonhos tenho tido. Esqueço os adjectivos que qualificam o que sinto. Resolvi por isso, nesta fase, LER.
Seguindo o meu próprio conselho, dado a um pobre rapaz, há muito tempo atrás. Naquele tempo em que a juventude não repara como as palavras podem ferir. E eu, tonta e ingénua, à espera que diálogos interessantes saissem daquela relação, lhe disse: " O teu problema é falta de vocabulário. Tens que ler mais."
Pois é isso que vou fazer agora!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Impermanência

Perdem-se oportunidades de evolução, perdem-se experiências boas, às vezes perde-se a vida…com esta mania de nos agarrarmos a situações ou pessoas com a ilusão de que o que gostamos não vai mudar nunca. É impressionante. Parece tão fácil interiorizar, porque no fundo já sabemos, que nada é permanente.

O contrário também vale. Muitas vezes por medo, a coisas e situações adversas ou desconhecidas, por que temos que passar para alcançar outras, simplesmente não vamos. Se admitíssemos que nada é permanente, sabíamos que o mal passa tão depressa como o bom. E o importante é viver hoje.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cheiros # 3

Outro dia quando acordei abri a janela e entrou aquele cheiro de certas manhãs!
Como sempre que algum destes cheiros aparece, fechei os olhos e fui lá.
Aquelas manhãs de outrora, quando estávamos de férias na praia e o mundo cheirava assim de manhã. E levantava-me e ia tomar o pequeno-almoço na cozinha. Naqueles pratos e chávenas de plástico duro, às cores. Oh como tudo sabia melhor naqueles pratos às cores. Estou a vê-los, amarelo, lilás, laranja, encarnado, verde claro, azul.
Só os usávamos nas férias, estavam todo o ano guardados numa arca de vime grande e a minha mãe levava-os para não usarmos as loiças das pessoas das casas que alugávamos no verão. E continuo a ver aquilo tudo. O meu corpo ainda com cheiro a lavado, bronzeado, pele lisa. Os cabelos revoltos com as ondas firmes de secarem na almofada. E o coração em sobressalto pelo começo de mais um dia de praia, sempre cheio de emoções, de reencontros, de palavras que não se dizem mas se adivinham. Olhares que se trocam entre mergulhos no mar e corridas na areia e concurso de saltos no pontão. E combinam-se festas de garagem e idas ao cinema em que ocupávamos filas inteiras e talvez a sorte de ficar ao lado. Porque nessa altura quase tudo estava no sitio certo.

Ligações

Outro dia ao abrir o FB li que eu e tu “partilharam uma ligação”!
Em realidade isto não quer dizer nada de muito interessante, é simplesmente que publicamos a mesma canção ou poema ou texto…Dito assim até que é giro. Mas enfim, comoveu-me. Nós que nunca partilhamos nada, muito menos uma ligação, que parece uma coisa tão séria, tão concreta. Se calhar estou errada, até é possível que tenhamos partilhado…sonhos, talvez, não sei. Pergunto-te então:
Alguma vez sonhaste comigo? Houve dias e dias inteiros em que a minha cara, o meu sorriso, o meu olhar não te saía da cabeça? Levantavas-te de manhã para ir para escola com a alegria de ser mais um dia em que me ias ver? Odiavas os fins de semana porque não me podias ver? Achavas que a altura melhor do dia era, no final das aulas, os 10 minutos que levávamos a percorrer o caminho da escola até ao sítio em que tínhamos que dizer até amanhã? Adoravas os dias de chuva porque nesses dias partilhávamos um guarda chuva e tínhamos uma desculpa para caminhar juntinhos? Sentias o toque da minha mão, que por acaso tocava a tua, e todo o teu corpo vibrava? E querias mais? Muito mais? E nunca tivemos…E tudo não passou de um sonho? E nas festas, não te sentiste mal por não ter a coragem de ir para o pé um do outro e dançar aquela música, juntos, com uma mão dada e com a cara encostada, só isso...
Se sentiste isto tudo, então sim, há muito tempo, já tínhamos partilhado uma ligação!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Amores

Assumo a sua importância e guardo comigo as pessoas da minha vida
Não recalco sentimentos, não os escondo, nem anulo
Trago-os ao de cima, vivo e vibro com eles
Eu sou um pouco de todos

O fim

Ela saiu naquele dia mais leve, sorrindo. Com aquele vestido preto onde se sentia inteira. Pôs as sandálias altas, para ver o mundo mais de cima e atou o cabelo comprido com um elástico para sentir o vento no pescoço. Não levou mala, só as chaves no bolso e os óculos escuros. Ainda não sabia.
E andou, andou. Vagueou pelas ruas que conhecia de sempre, sorriu a quem passava. E continuou a andar como se fosse para algum lugar. Como se alguém a esperasse. Fingiu que era outra. Passou na esplanada e não parou. Ouviu o seu nome e virou a cara. Começou a sentir que o mundo era outro e ela passava como se também fosse. Tirou as sandálias e correu descalça, para chegar lá mais depressa, antes do fim. Ofegante, sôfrega, corria. Parou ao sentir o fresco da areia nos pés. O vento continuava a acariciar-lhe o pescoço. E viu-o. Grande, imenso, brutal. Fechou os olhos e deixou-se cair.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

«Ela estava sempre nos "bastidores"»

(Á minha querida Tia Palmira)

Ela lá estava
Sempre presente
Nas horas boas e más
Sempre por detrás de tudo,
E de todos

Ninguém reparava, nem eu
Mas agora noto e sinto aquela presença
Em todos os acontecimentos da minha vida
Ela estava lá sempre
Nos "bastidores" de tudo!

Nunca foi Mãe, nem Avó
Mas para mim foi tudo isso junto
e mais qualquer coisa

Ela sempre fez parte do cenário da minha infância e da minha adolescência,
enfim, da minha vida
Partilhando as alegrias e tristezas de todos

E eu sem a notar!
Sem lhe dar o merecido destaque
Porque ela nunca teve a alegria de ter um filho, ou a de ver nascer vida duma vida que deu ao Mundo
Mas sempre as preocupações e o amor duma Mãe, e mais tarde, duma Avó

E por isto tudo
Que só agora há pouco tempo dei conta
Ela jamais terá um lugar secundário no meu coração
Mas ficará, sim, colocada ao lado dos lugares de Avó e Mãe
Pois ela é tudo isso e muito mais!

(escrito quando tinha 17 anos, no Natal)

«As minhas duas velhas queridas»

Estão velhas e cansadas
aquelas duas velhas queridas
cansadas da vida que já viveram,
calmamente,
com aquela calma de outrora

Tão iguais em seus destinos
mas tão diferentes em pensamento

Uma pôs toda a sua juventude e amor nos filhos e agora nos netos
Vive deles e para eles

A outra, como viveu!
Levou a sua vida a mostrar aos outros a justiça humana e os seus próprios sentimentos
Ela pensava,
E escrevia

Agora que resta da poetisa de outrora?
Ainda uma pensadora
mas já não escreve, Diz!
E eu, ao vê-la tratar das suas múltiplas flores vejo esta viagem no tempo,
Este transporte
Todo o seu amor já não o exprime no papel, mas sim nas flores e a sua justiça foi abalada pelas desilusões sofridas.

São as minhas duas velhas queridas!
cada uma passando o seu dia-a-dia a cuidar das suas "primaveras",
Pois o seu "Inverno" chegou...



(escrito quando tinha 16 anos, para as minhas queridas Avó e Tia)

sábado, 30 de outubro de 2010

Medo

Sinto-me como uma criança a descobrir o mundo. Vejo e sinto as coisas de uma maneira tão diferente, tão nova, que é como se tivesse renascido.
Tenho vencido muitas batalhas contra o nosso principal inimigo…esse que não nos deixa viver: o MEDO!
Não o derrotei totalmente nem sei se alguma vez o farei, mas vou continuar a tentar porque vale a pena. O alivio com que se acorda de manhã. A paz, à noite.
Já não me zango tanto comigo, por isso não espelho nos outros as minhas fúrias. Já me aceito melhor, logo os outros também a mim.
Já não tenho medo dos julgamentos alheios, nem do que pensam de mim. Sou mais autêntica (vide “De dentro”).
E muito importante, comecei a vencer a culpa, esse monstro que nos cega, tortura, corrói e às vezes mata.
Os remorsos (adoro em espanhol “remordimientos”, é mesmo de roedor…) por tudo e por nada. Fazem-se asneiras sim senhor, todos fazemos, é assim que somos, não há santos, e quem menos parece pior é. Se pudermos remediar melhor, senão, segue!
Dos meus sentimentos nunca tive medo, sempre adorei senti-los, todos, mesmo os que magoam. A vida sem eles não faz sentido, não são para poupar. A diferença agora é que não tenho medo de os mostrar. E isso é do melhor que há. É tão bom não ter medo, até me sinto mais alta!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Partidas

Não quero que morras! Gosto de saber que existes.
Mesmo sem nunca te ver gosto de saber que estás ali. Algures. Debaixo deste mesmo sol, a sentir este mesmo frio. Nunca fizeste o que te pedi, mas sempre me deste o que eu queria. Vá lá…não morras. Não vou ter saudades porque já não são deste tempo. Mesmo longe quero saber-te feliz. A diferença do amor verdadeiro e desses outros sentimentos egoístas, possessivos e controladores é que um é generoso, solidário e eterno. Os outros, não são amor.
Não quero que morras!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma questão de tempo

Em toda a minha vida vi e senti a mão de Deus, dos meus anjos, das Senhoras, ou de todos eles, dependendo da situação.
Sempre os aceitei pois só assim Eles existem, comigo. E assim, tudo, ou quase tudo, sempre caiu do céu no meu colo. Não só as coisas boas, mas também aquelas pelas quais eu precisava passar, para crescer, aprender e amar melhor.
Há coisas que eu simplesmente SEI.
Quando tomo uma decisão do tipo “vou deixar de fazer isto”, ou “ vou dedicar-me aquilo”, ou “estou farta desta gente”. Ou até “preciso esquecer…”
E se é uma decisão séria e para o meu bem, tudo conspira para que tal aconteça. Não tenho que fechar portas, desligar telefones ou lutar por isto ou aquilo. O que tem que acontecer acontecerá naturalmente e pacificamente, sem lutas. Poderá implicar trabalho, esforço, persistência, mas nunca lutas. Quando há guerra não vale a pena insistir. Não é para nós!
E também há aquelas coisas (situações, pessoas…) que reconheço, sei que são para mim, cruzam-se na minha vida várias vezes, recuso com a consciência inconsciente de que ainda não é o tempo. Até que chega um dia e de repente sei. É agora!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Amaste-me?"

Agora que o tempo já nos viveu posso finalmente fazer a pergunta: - Amaste-me?
Sem medo, sem nada a perder, sem máscara. Ficamos no tudo por dizer, no tudo por fazer. E chegamos a um dia em que a pergunta se impõe: - Amaste-me?
Se não quiseres não respondas, mas se o fizeres diz a verdade: - Amaste-me?
Confundo o sonho sonhado e o sonho vivido e preciso que me ajudes: - Amaste-me?
Estradas paralelas, cruzamentos, pontes para lá e becos sem saída. Preciso saber agora o caminho que fizemos: - Amaste-me?
Por aquilo que sou, por ti, diz-me, de uma vez por todas: - Amaste-me?
Grita-me cruelmente a verdade, assim despida de cores e de amores. Preciso acalmar a ânsia de saber se alguma vez fui …

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Porta-retrato # 2

Às vezes vens ter comigo nos meus sonhos. Quando começo a não pensar em ti, tu apareces. Entras em mim e pareces real. Falas comigo, abraças-me, dás-me colo. Lembras-me que existes, que estás sempre comigo e que nunca me deixarás. Sinto-te em mim como sempre. Parte de mim que não parte. E conversamos, falamos do quanto e tudo que somos, relembramo-nos. E depois acordo e tu continuas ali, fotografia amarelecida a sorrir-me, estática, vazia, sem vida.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Olhares

Naquele "rame rame" da fila, as pessoas serpenteando, cruzando-se a cada volta com as mesmas caras. Olhando, muitas vezes sem ver. De repente os olhares deles pousaram um no outro. Normalmente os olhares cruzam-se, desta vez pousaram, suavemente. Lindos, verdes, numa pele bronzeada. Terá sido mesmo? Mais uma volta, a mesma coisa. E mais uma. Igual. E outra. E sempre. Finalmente um para a esquerda, o outro para a direita. Saídas diferentes. Perdidos? Um para uma loja. Outro para um café. Terá sido? De repente, um a sair da loja quando o outro vai a entrar. E voltam a cruzar-se, só eles, sem filas, sem serpentes, sem ninguém. Os olhares pousaram e desta vez com um leve sorriso. Já se conheciam. Afinal foi mesmo. Mas sem parar e agora para se voltar a perder para sempre. Ficou uma angústia que consumia a esperança. Afinal isto ainda é possível. Perdidos, cansados, mas vivos. Foi a dádiva de uma réstia de passado. Sentiram o seu olhar mudar. Sentiram-no nos olhares dos outros perante o deles, a partir daí. Um sentou-se e fechou os olhos, tentando reter aqueles segundos, aquela sensação. Mas a dimensão da perca era enorme. Não cabia. As lágrimas caíram, instintivamente. Queria voltar atrás, segurar aquele momento, experimentar. O outro seguiu, num destino igual. Mas algo mudou, só naquele momento. Aquela parte intocável, ficou ali. Como náufragos deixados numa praia qualquer, entre troncos, nós e nadas. E vagas desenfreadas que vão e vêm, levando. O que têm e o que sonharam.
Na vida cruzamo-nos com milhares de pessoas. Raramente pousamos em alguém.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Abandono

Páro o carro, desligo-o e fico sentada a olhar em frente.
Ao fundo o mar, a seguir a praia, mas não a vejo. Uma casa grande, com ar abandonado. Uma rua estreita que leva as pessoas à praia. A linha do comboio. As quatro faixas movimentadas da marginal. E eu. Nos passeios da marginal, em vinte minutos passaram quatro pessoas. E foi no passeio entre a linha do comboio e a estrada. Mais um agora. Todos em direcção à estação, excepto este. A primeira era uma rapariga alta, magra, de pele clara e cabelo preto. Ar de eslava. Calças justas dentro de botas altas, estrangeira, mas não turista, a ir para o trabalho. A seguir um senhor. Com alguns cabelos brancos, africano. De calças e blazer de fundo claro, com riscas, camisa escura. Fez-me lembrar um músico de jazz. Depois uma mulher, de casaco comprido, com um saco de plástico. E finalmente o que ia ao contrário dos outros. Um homem, apressado, de maleta. Todos personagens deslocados no tempo e no espaço. Figurantes de um filme, ou de vários. Eles? Ou eu?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Eu aos olhos dos outros

Foram estas as palavras escolhidas por amigos meus para me definir naquele "jogo de definir uma pessoa com uma só palavra":

Frontal
Apaixonada
Humanidade
Self-confident
Divertida
Sincera
Autêntica
Intensa
Divertida
Consciência

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Alheamentos

Toda a vida tive dois problemas de alheamento com o (meu) Mundo.
Um é a solidão. Para onde eu caio, literalmente, de vez em quando e sem razão aparente.
A outra é a falta de integração em “grupos”.
Toda a vida tentei, mas nunca me senti integrada e em sintonia com um grupo, durante muito tempo. Seja de amigos, politico, religioso…
Adorava ter um ideal comum com um determinado grupo de pessoas. Com as quais eu me identificasse. Onde me sentisse integrada e compreendida. Mas nunca consigo.
Há sempre uma determinada altura em que ou há simplesmente um clique, ou alguém diz ou faz qualquer coisa que eu não gosto, ou não concordo e pronto! Rompe-se o elo e eu solto-me. E a partir daí, até posso não me afastar completamente, mas já não me sinto lá, já estou à margem. Fico logo muito mais crítica, mais intolerante. Isolo-me e abstenho-me.

(hei-de voltar a escrever sobre estas duas situações. A "solidão", problema recorrente e sobre a qual escrevo desde os 11 anos. E os "grupos" ou "falta de gurus" ou "marginalidade")